Tema
Capítulo 0 — O framework em 5 minutos
Antes de dissecar cada peça, veja o todo. Este capítulo é o mapa — você vai voltar a ele sempre que se perder. Não se preocupe em entender cada termo agora; eles reaparecem com calma nas partes seguintes.
A dor, em uma frase
LLMs codificam bem em escopo pequeno e bem definido, e mal sob ambiguidade.
Quanto mais vaga a tarefa, mais o modelo improvisa — e improviso, em código, é onde nascem os bugs.
A tese
Se ambiguidade é o veneno, especificação é o antídoto. O agent-spec mata a ambiguidade antes da primeira linha de código, e depois protege o resultado com revisão automática.
Pense numa obra: mudar a planta no papel custa um apagador; derrubar uma parede já levantada custa uma semana. O framework empurra o máximo de decisões para a fase "papel".
As quatro peças que você precisa reconhecer
Escolher o caminho
Conversa, TaskCard, miniSpec ou SDD — pelo tamanho da feature.
Gerar a spec
Skills
*-generate-* produzem artefatos antes do código.Executar (run-tasks)
O orquestrador implementa task a task, respeitando dependências.
Dois gates revisam
QA (funcional) + Tech Review (arquitetural). Aprovou →
git add.1. Quatro caminhos
Nem toda feature merece o mesmo cerimonial. O framework oferece quatro "veículos", do mais leve ao mais pesado:
| Caminho | Para quê |
|---|---|
| Conversa direta | Spike, exploração — código que vai ser jogado fora. Sem gates. |
| TaskCard | Mudança pontual e isolada (1 task). |
| miniSpec | Feature de 1 a 3 user stories. |
| SDD | Feature complexa, multi-US, alto custo de retrabalho. |
2. Gerar a spec
Skills *-generate-* produzem os documentos (PRD, tech spec, intent, scope, tasks) antes de qualquer código. Tudo versionado em docs/specs/features/{feature}/{version}/.
3. Executar
A skill *-run-tasks pega as tasks e as implementa, uma a uma, respeitando dependências.
4. Dois gates
Cada task implementada passa por duas revisões automáticas:
- Gate 1 —
agent-spec-qa-validator: o olho funcional. Roda os testes, verifica escopo e corretude. - Gate 2 —
agent-spec-staff-architecture-review: o olho arquitetural. Avalia design, segurança profunda, ADRs.
Se algum gate reprova, entra um loop de correção (no máximo 3 tentativas). Se aprova, o código é staged (git add) — o commit fica com você.
O fluxo, de uma vez
┌────────┐ ┌─────────────┐ ┌──────────┐ ┌──────────┐ ┌──────────┐
│ Ideia ├──▶ │ 1.Escolher ├──▶ │ 2.Gerar ├──▶ │ 3.Run ├──▶ │ Executor │
│ │ │ caminho │ │ spec │ │ -tasks │ │ │
└────────┘ └─────────────┘ └──────────┘ └──────────┘ └────┬─────┘
│
┌─────────────────────────────┘
▼
┌─────────┐ aprovado ┌─────────┐
│ Gate 1 ├─────────────▶ │ Gate 2 │
└────┬────┘ └────┬────┘
│ rejeitado │ rejeitado
▼ ▼
┌──────────────────────────────────────┐
│ Loop de correção (máx. 3 tentativas) │
└──────────────────┬───────────────────┘
│
▼
volta ao Executor
Aprovado nos dois gates → git add (stage, sem commit)A ideia mais importante: débito-controlado
A decisão de design que mais separa o agent-spec de pipelines típicas de IA:
🚫 Regra de ouro
Médios e baixos não reprovam. Só risco real (crítico/alto) bloqueia.
Bugs, vulnerabilidades e testes que mascaram regressão → reprovam e disparam o loop. Uma magic string num teste que já passa? Vira dívida anotada, não um loop de 6 minutos. Depois, a skill /agent-spec-debt-resolution recolhe a dívida acumulada num batch só.
📝 Nota
Se você só tem 5 minutos, este é o resumo. As próximas 8 partes apenas detalham cada uma dessas quatro peças e o débito-controlado — com o porquê de cada escolha.
📚 Aprofundamento na Referência
- Parte I — Por que especificar antes de codar — a dor, as convicções, a rastreabilidade.
- Parte II — Seu primeiro fluxo — demonstração passo a passo de uma feature ponta a ponta.
- Apêndice D — Quem chama quem — mapa rápido de todas as skills.